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ANÁLISES APONTAM PRESENÇA DE 15 AGROTÓXICOS NA ÁGUA CONSUMIDA EM VÁRIAS CIDADES DA REGIÃO

Meio ambiente

Domingo, 21 de Abril de 2019

Uma investigação jornalística realizada pelo Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye mostrou dados alarmantes sobre a qualidade da água consumida nos municípios brasileiros. Segundo as informações obtidas junto ao Ministério da Saúde, das 36.523 amostras realizados entre 2014 e 2017, 80% apresentaram contaminação por resíduos de agrotóxicos. Na Região Imediata de Guanambi, muitos municípios apresentaram resultados que indicam a contaminação por até 15 tipos de agrotóxicos, entre 27 pesquisados. É o caso de Caetité, Caculé, Guajerú, Jacaraci, Lagoa Real, Licínio de Almeida, Macaúbas, Rio do Antônico, Rio do Pires e Urandi. Em Ibiassucê e Mortugaba, as análises encontraram um tipo de agrotóxico presente na água. A pesquisa não encontrou análises realizadas em Guanambi e outros municípios da região. Os dados podem ser acessados individualmente no site portrasdoalimento.info. Entre os agrotóxicos presentes na água distribuída à população dos municípios citados, oito são associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. Destes, três foram encontrados em níveis acima do permitido pela legislação brasileira. Se considerados os parâmetros usados na União Europeia, outros doze produtos encontrados estariam a acima dos limites considerados seguros para consumo humano.  As empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Na Bahia, quatro municípios encontram-se nessa situação. São Felix do Coribe, Itapetinga, Mucugê e Camaçari. A pesquisa revelou ainda que a falta de monitoramento também é um problema grave. Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931 não realizaram testes na sua água entre 2014 e 2017. O retrato nacional da contaminação da água gerou alarde entre profissionais da saúde. “A situação é extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos à saúde da população”, afirma a toxicologista e médica do trabalho Virginia Dapper. O tom foi o mesmo na reação da pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, Aline Gurgel: “dados alarmantes, representam sério risco para a saúde humana”. Em nota, a Embasa confrontou os resultados divulgados pela pesquisa. A empresa afirmou que todas as amostras de de água analisadas no período estão isentas de substâncias presentes em agrotóxicos. A empresa afirmou ainda que atende aos parâmetros de potabilidade estabelecidos pela legislação brasileira e reforçou que a água tratada está sendo distribuída em condições de potabilidade e não apresenta risco à saúde humana. Questionada sobre a ausência de análises em alguns municípios, a empresa disse analisa a água distribuída em todos os municípios que atua, e que os resultados analisados são divulgados na plataforma – Siságua, à qual os municípios têm acesso por meio dos técnicos da vigilância sanitária ou solicitando diretamente à Embasa. O Ministério da Saúde respondeu aos questionamentos da reportagem, reforçando que “a exposição aos agrotóxicos é considerada grave problema de saúde pública” e listando efeitos nocivos que podem gerar “puberdade precoce, aleitamento alterado, diminuição da fertilidade feminina e na qualidade do sêmen; além de alergias, distúrbios gastrintestinais, respiratórios, endócrinos, neurológicos e neoplasias”. A resposta, porém, ressalta que ações de controle e prevenção só podem ser tomadas quando o resultado do teste ultrapassa o máximo permitido em lei. No entanto, o Brasil não tem um limite fixado para regular a mistura de substâncias. Ou seja, se foram detectados diversos agrotóxicos, mas cada um abaixo do seu limite individual, a água será considerada potável no Brasil, diferente do que ocorre na Europa por exemplo. Nos últimos quatro anos, o Ministério da Agricultura liberou o registro de mais de 1,2 mil agrotóxicos, somente neste ano foram 152 liberações.

FONTE:  TIAGO MARQUES -  AGÊNCIA SERTÃO. 




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