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PESQUISA APONTA QUE PROFISSÃO DE DOMÉSTICA ESTÁ EM EXTINÇÃO NA BAHIA

Economia

Quinta-Feira, 20 de Abril de 2017

Há cinco anos, antes da promulgação da PEC das Domésticas (Proposta de Emenda Constitucional), o contingente de empregadas domésticas na faixa dos 16 aos 24 anos, eram de pouco aproximadamente 2.500 mulheres, em um universo de cerca de 110 mil trabalhadoras.  No final do ano passado o percentual é tão insignificante que não aparece nem mesmo nas avaliações das pesquisas de emprego e desemprego da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).



Considerada como uma espécie de  último refúgio contra o desemprego, a atividade de empregada doméstica caminha para a extinção. O número de trabalhadoras na região Metropolitana de Salvador manteve-se estágio nos dois últimos anos, em torno de 113 mil, dos quais cerca de 80% em Salvador, mas praticamente não inclui mulheres na faixa dos 16 aos 24 anos. “A gente só fica por necessidade até arranjar algo melhor”, resume Marília Silva Santos, 23 anos, que trabalha como diarista desde o final do ano passado, em uma residência  no bairro do Costa Azul.



Os números da SEI, divulgados ontem, revelaram que dos 1,5 milhão de trabalhadores na Região metropolitana de Salvador, 24,8% deles – aproximadamente 375 mil – estavam desempregados no mês passado. Quase metade do contingente era formada por mulheres. Do universo de 118 mil trabalhadores domésticos, 113 mil  eram mulheres, 96% das quais eram negras e só  33% tinham o Ensino Médio completo.



Conforme explicou o economista e analista da pesquisa da SEI,  Luiz Chateaubriand, não se pode afirmar com plena certeza de que a profissão de doméstica vá acabar em curto espaço de tempo. Mas o fato de que o número de empregados na RMS tem se estabilizado nos últimos anos e de que o perfil das trabalhadoras se situa em idades cada vez mais alta, demonstra que não há interesse da população mais jovem e que está entrando no mercado de trabalho pela primeira vez. “É uma realidade quer se mantém cada vez mais disse.



Machismo
A profissão de doméstica é essencialmente feminina, apesar de nas estatísticas sobre emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a profissão incluir os homens. O diferencial, contudo, é que dos 118 mil trabalhadores cadastrados como domésticos na Região Metropolitana de Salvador, 113 mil são mulheres, que exercem funções basicamente de cuidar dos afazeres domésticos.



Aos homens, como explicou Chateaubriand, cabem funções como porteiros, jardineiros e zeladores, além do que as mulheres trem um ganho que equivalem a62,1% do que recebem os homens. A pesquisa de emprego e desemprego da SEI, chama a atenção para o fato de que 96% das trabalhadoras domésticas são negras, 70,2% têm entre 25 a 49 anos de idade, 38,4% têm apenas o Ensino Fundamental incompleto e 50% delas são os chefes de família.



Segundo a pesquisa, em 2012, último ano antes da efetivação da PERC das Domésticas, que regulamentou a profissão e tornou obrigatória a assinatura da Carteira de Trabalho, 26,8%, das trabalhadoras domésticas tinham nível médio completo ou superior incompleto; em 2016, esse percentual se elevou para 33,1%. Mesmo com as constantes melhorias no nível de escolaridade, a maior parcela das empregadas domésticas tem apenas o nível fundamental incompleto.



Em 2016 a maioria das trabalhadoras no emprego doméstico estava na faixa etária entre 25 a 39 anos (36,3%), seguidas daquelas entre 40 a 49 anos (33,9%). As trabalhadoras com mais idade (entre 40 e 59 anos) respondiam por 46,9% em 2012 e passaram a representar 55,9% em 2016. Há 10 anos, em 1997, 35,5% das empregadas domésticas tinham filhos acima de 9 anos. Em 2016, essa proporção aumentou para 50,0%.



Considerando as características de raça ou cor das empregadas domésticas, a pesquisa da SEI mostrou que a maioria de mulheres negras e, em relação a 2012, houve pouca mudança no predomínio dessa população em 2016. Em 2012, 95,8% das empregadas domésticas eram negras, passando para 96,0% em 2016. Com relação à posição na família, predomina a condição de cônjuge (45,1%), embora a parcela de mulheres chefe de domicílio tenha aumentado de 35,1% para 40,3% entre 2012 e 2016.


Tribuna da Bahia


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