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REPORTAGEM ESPECIAL: IDOSOS SUFOCADOS EM DÍVIDAS

Especial

Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018

Para socorrer suas famílias e não deixar faltar nada em casa – especialmente gêneros de primeira necessidade – os idosos brasileiros foram aos bancos, onde recebem a aposentadoria do INSS, para buscar o crédito consignado e tornaram-se os lideres da inadimplência do Brasil.


Muitos deles – na hora do aperto - tomam créditos consignados até o limite possível. E, com isso, a renda encurta muito. A saída é buscar mais dinheiro para fechar as contas do mês, nas tradicionais linhas de crédito de bancos e financeiras, onde as taxas de juros são de mercado. O resultado é que muitos acabam ficando inadimplentes.


Fruto desta situação, o sétimo mês de 2018 contabilizou 8,8 milhões de idosos que deixaram de pagar em dia os seus compromissos. Houve, então, um aumento de 10% em relação ao apurado no período correspondente do ano passado (8 milhões). 


O valor do montante de contas em atraso entre os inadimplentes na faixa etária acima de 61 anos também subiu e atingiu R$ 41,1 bilhões. Isso resulta em uma dívida média de R$ 4.668,00 por idoso. 


Situação real


Esses dados foram apurados e divulgados pela Serasa Experian. Segundo o estudo, o comportamento de inadimplência, entre os idosos, foi muito diferente do padrão de dívidas em atraso, que prevalece entre os adultos mais jovens no país. 


Os compromissos que os idosos brasileiros mais deixaram de pagar foram contas básicas de: água, energia e gás (34,30%), sendo que esse débito, no índice geral da população, corresponde a 19,40% do total, ou seja, uma diferença de 14,9 pontos percentuais.


O crédito consignado - tão procurado pelos idosos – é aquele financiamento que tem um juro menor do que a média de mercado e cujo desconto é feito diretamente do benefício da aposentadoria. Mas, como a recessão está demorando a passar, os idosos continuam sendo pressionados pelos familiares a buscarem mais crédito. 


Ocorre que, pelas regras do crédito consignado, o aposentado ou pensionista da Previdência pode comprometer, no máximo, 35% do seu benefício líquido, isto é, após o desconto de impostos, com a prestação.


Reflexo da crise


Na avaliação dos economistas da Serasa Experian, esse comportamento dos idosos, na hora de buscar crédito e a consequente condição de inadimplência, refletem o impacto da crise econômica no bolso do brasileiro.  


Na sequência da composição dos orçamentos dos idosos que operavam no vermelho, no sétimo mês deste ano, aparecem as pendências com bancos e cartões (27,80%), telefonia (10,70%), financeiras e leasing (9,00%), varejo (7,40%) e serviços (6,00%). 


Já o perfil médio dos inadimplentes no Brasil aponta que a maior parte das dívidas, em aberto, se concentram junto a bancos e cartões (28,50%) e na continuidade figuram as contas básicas (19,40%), varejo (12,60%), telefonia (11,60%), serviços (10,40%) e financeiras e leasing (10,00%).


Crescimento maior


Apesar de não ser a mais elevada entre as faixas etárias, a inadimplência entre os idosos foi a que mais cresceu nos últimos dois anos. Do total de pessoas no país com mais de 61 anos, 35,1% delas estavam com o orçamento no vermelho em julho de 2018 – uma evolução de 2,6 pontos percentuais frente ao resultado de julho/2016. 


Os estados de São Paulo (21,4%), Rio de Janeiro (12,2%) e Minas Gerais (9,9%) permaneceram, em julho de 2018, nas três primeiras posições do levantamento estadual, com as maiores participações no número de idosos inadimplentes no país. Comparados com seus respectivos resultados no ranking apurado no mesmo mês de 2017, os três Estados também apresentaram alta no total de brasileiros acima de 61 anos com dívidas em atraso.


Alguns estados do Norte como Roraima, Amapá e Amazonas apresentam uma taxa de inadimplência acima de 50% da população adulta enquanto que as pessoas que moram no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraíba estão abaixo dos 35%. No Brasil, 40,3% da população adulta está inadimplente. Na Bahia houve uma sensível queda nesse percentual de inadimplência. Em julho de 2017 estava em 8,1%. Neste ano, no mesmo período, o percentual caiu para 7,8%. 


Restrição de crédito


Ainda segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, os milhões de consumidores brasileiros inadimplentes deve-se em grande parte, ao desemprego e as crises econômicas. São situações que mais afetam o orçamento das famílias. 


Ficar inadimplente e ter o nome na Serasa, além de restringir diretamente o acesso ao crédito e desorganizar a vida financeira das famílias, também afeta o ‘score1’ de crédito do consumidor.


Vale lembrar que cada caso é um caso. A elevação ou decréscimo do ‘score’ após entrada ou saída da lista de inadimplentes dependerá de uma série de fatores. Entre eles estão o valor da dívida, quantidade de parcelas em atraso e quanto tempo aquele CPF permaneceu na lista de inadimplência, finaliza o estudo.


Salvador está entre as três capitais com menor índice de inadimplência 


A 8ª Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, que analisou as nove capitais do Nordeste, constatou que 22% das famílias soteropolitanas estão inadimplentes. No ranking regional, a capital baiana está entre as três capitais nordestinas com menor índice de inadimplência. Teresina (PI) tem 14% e João Pessoa tem 5% das famílias inadimplentes. Os dados são apurados pelo Banco Central do Brasil, IBGE, CNC e Fecomércio-SP.


Realizado anualmente, o estudo apresentou os dados que mostram a capital baiana em  5º lugar na classificação de comprometimento da renda com dívidas, chegando em 29%. A radiografia é responsável por analisar os aspectos, dimensões e efeitos da política de crédito no Brasil.


TRANSCRITO DA TRIBUNA DA BAHIA.COM


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