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SAÚDE: CÂNCER MATA 32 BAIANOS POR DIA

Saúde

Segunda-Feira, 20 de Agosto de 2018

Aos 32 anos, a enfermeira Cátia Sobral Coelho, recebeu, ao lado do seu marido, Rafael Bruno de Jesus Silva, também de 32 anos, o diagnóstico que ele estava com câncer de estômago em estado irreversível. Ele lutou contra a doença por 11 meses e, em abril deste ano, acabou não resistindo. Rafael morreu com câncer, situação que supera a violência, por exemplo, e lidera o número de causas de mortes na Bahia, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde (veja dados ao lado). Por dia, na Bahia, em 2016, em média, 32 pessoas morreram no estado com câncer. 



Para se ter uma ideia do crescimento da doença, em 2011, o câncer nem aparecia como principal causa de mortes no estado. “Muito difícil aceitar um diagnóstico final em um paciente tão jovem. E, apesar das estatísticas, sempre tivemos esperança que ele poderia ter um período, mesmo que breve, entre nós. Fizemos de tudo, nos doamos por completo em prol de Rafa”, relembra. 
Rafael, que deixou um filho de 4 anos, foi vítima de um tipo de câncer que, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), é um dos mais perigosos, em razão de se manifestar de maneira lenta e silenciosa, com sintomas que são difíceis de perceber




De acordo com dados do Ministério da Saúde, a partir do DataSus, a neoplasia maligna ocupa o topo do ranking de mortalidade na Bahia, tendo vitimado 11.697 pessoas em 2016 - média de 32 por dia. Ainda segundo a pasta, deste total 6.261 foram homens e 5.436 mulheres. Já quanto à faixa etária da população, cerca de 45% das vítimas eram idosos entre 60 e 79 anos.


O hematologista e diretor médico da Clínica AMO, Alex Pimenta, afirma que, sobre os registros de mortes de idosos, “a idade é o principal fator de risco para o câncer e infelizmente é não-modificável, já que trata-se, portanto, de uma questão biológica para a qual não teremos solução, pelo menos com a tecnologia atual”, destaca.


Já o oncologista Augusto Mota destaca que “cerca de 70% dos cânceres são diagnosticados acima de 60 anos e, como no avançar da idade muitos pacientes deixam de ter condições clínicas para suportar os tratamentos que poderiam curar ou mesmo prolongar a sobrevida, há maior mortalidade nessa faixa etária”. 


No Brasil, em 2016, foram registrados 211 mil 343 óbitos decorrentes de câncer. Ou seja, as mortes na Bahia representam 5,5% do total do país. Já no Nordeste, que teve 46.033 ocorrências do tipo, ¼ delas se concentrou na Bahia, à frente de Pernambuco, Ceará e Maranhão. O Ministério da Saúde, a partir de dados coletados da Secretaria de Saúde da Bahia, indica que o câncer de próstata lidera as mortes de homens no estado (1.216 óbitos em 2016). Já as mulheres  morreram principalmente por câncer de mama (850 em 2016)


Prevenção e diagnóstico
Para a médica e pesquisadora do Núcleo de Oncologia da Bahia, Clarissa Mathias, “é necessária uma conscientização da população em relação aos métodos de diagnóstico precoce, porque a doença, quando identificada precocemente, é curável em muitos casos”.


O diagnóstico precoce de um câncer de mama hormonal, em 2011, não desanimou a publicitária Paula Dultra dos Santos, de 38 anos. Pelo contrário, ela, que não tinha histórico de câncer na família, iniciou rapidamente o tratamento. “Minha fé, minha família, meus amigos e minha autoestima foram essenciais”, relembra. 


Mas, a história de Paula com o câncer não terminou com a cura da neoplasia mamária. Em abril deste ano, a publicitária precisou ser internada e foi diagnosticada com mais um câncer, desta vez no ovário.


Hoje, ela faz quimioterapia, tratamento que pode causar mal estar, náuseas, vômitos, agitação, entre outros sintomas causados pela afetação não só das células cancerígenas, como, também, das normais (saudáveis). Apesar da doença, Paula não parou de trabalhar - inclusive, na clínica onde começou o tratamento -  e, além disso, continua organizando todos os preparativos para o casamento, que acontece no ano que vem. “No dia dos namorados deste ano, Roddolfo  Carvalho raspou a cabeça para ficar como eu”, contou ela ao se referir ao noivo. A história de Paula pode ser conferida no Instagram @maonamama.


Mudança de cenário
A partir da coleta de informações do Ministério da Saúde (DataSus) e da Sesab, em 2011, por exemplo, as mortes por câncer apareciam em quarto lugar dentre as principais causas das mortes dos baianos, atrás de doenças do aparelho circulatório; causas externas; sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório. Em cinco anos, é possível afirmar que houve acréscimo de 24% nas mortes por neoplasias malignas no estado - saltando de 9.410, em 2011, para 11.697, em 2016.


A tendência, segundo estimativa do INCA para o ano de 2018 é que os registros de neoplasias malignas tenham incidência bruta de 356 casos por grupo de 100 mil habitantes, o que significa dizer que 54.397 baianos terão câncer neste ano. O número é maior do que o registrado pelo INCA em 2016, quando a estimativa foi de 50.458 habitantes - houve, portanto, alta de quase 8% em dois anos.


O secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, explica que há dois fatores que colaboram com o aumento da incidência de casos de câncer e também da mortalidade: tecnologia e envelhecimento da população.


 “Com as tecnologias mais modernas podemos diagnosticar mais precocemente os cânceres. Muita gente, no passado, morria por falta de um diagnóstico mais adequado. Uma das coisas mais importantes, inclusive, é descentralizar o serviço da rede de atendimento”, explica Vilas-Boas que destaca que a Bahia ganhou nos últimos anos serviços especializados no interior. Até 2019, segundo ele, serão construídas novas unidades de alta complexidade  em Barreiras, Irecê, Juazeiro além de outras duas novas em Salvador - no Hospital da Mulher e no Cican. 


O envelhecimento da população é o segundo fator que, de acordo com Vilas-Boas, colabora com o aumento de mortes. “A população está envelhecendo. Esse é o maior problema do mundo no âmbito da saúde pública. O envelhecimento da população provoca mortes não só pela idade, mas também por conta das consequências do câncer”, diz o secretário. 


Essa não é uma realidade apenas do Brasil. De acordo com a Sociedade Norte-Americana de Câncer (American Cancer Society), entre 2010 e 2030, o número de novos casos de neoplasias malignas passará de 14,6 para 20,2 milhões ao ano, principalmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil, onde os fatores de riscos e procedimentos preventivos são menos cuidadosos.


O Ministério da Saúde, por meio de nota, afirmou que “o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece assistência integral aos pacientes com câncer, desde o diagnóstico, tratamento, acompanhamento até a oferta de medicamentos”. A pasta ainda destacou que “em seis anos, mais que dobraram os recursos federais destinados para tratamentos do câncer, passando de R$ 2,2 bilhões em 2010 para R$ 4,6 bilhões em 2017”.


VEJA FORMAS DE PREVENÇÃO


Cigarro - É  imprescindível não fumar para evitar as neoplasias malignas dos tipos de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe e esôfago.


Corpo e mente - Cuidados com alimentação, peso e a prática de exercícios são fundamentais para manter a saúde funcionando em bom estado.


Álcool - Outra questão que deve ser observada é evitar o consumo de álcool. Em qualquer quantidade, o álcool contribui para o risco de desenvolver câncer, e lembra que combinar bebidas alcoólicas com o tabaco aumenta a possibilidade do surgimento da doença.


Exames - Para as mulheres, o Instituto destaca que, entre 25 e 64 anos, deve ser feito o exame preventivo ginecológico a cada três anos.


Homens - Já para os homens, principalmente com mais de 50 anos e com sintomas de problemas na próstata, como dificuldade para urinar, jato urinário fraco ou sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, devem procurar um médico para investigar o problema.


Alerta - Toda pessoa com suspeita de um câncer deve ser avaliado por um médico, sem ser, necessariamente, um oncologista no primeiro momento para facilitar o diagnóstico precoce.



TRIBUNA DA BAHIA.COM


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