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AS LEMBRANÇAS DOS CIRCOS EM GUANAMBI

Cultura

Domingo, 27 de Setembro de 2020


Na década de 1950, antes da construção do prédio dos Correios, na Praça Getúlio Vargas, muitos circos foram armados, alguns pobrezinhos, tão pobres, que os frequentadores precisavam levar suas próprias cadeiras. Um circo, ou melhor, um parque, “Parque Teatro Márcia”, ou “Parque de Mantimento” (Mantimento – assim era conhecido o dono e também palhaço do estabelecimento) teve grande destaque; dispunha de roda-gigante, carrossel, balanços em forma de barcas, estandes em que muita gente arriscava fisgar uma prenda, serviço de alto-falante, por meio do qual pessoas ofereciam músicas de sucesso na época a quem lhes merecia atenção e carinho. O conjunto de atrações culminava com a apresentação da dançarina Maria Tuana, esposa de Mantimento. Também na década de 1950, instalou-se na antiga Praça da Bandeira o chamado “Circo Mexicano”, sob a direção do toureiro Sr. Chiquinho. Além dos lugares reservados às autoridades na parte baixa, em frente da “arena”, havia as arquibancadas, popularmente chamadas de “galinheiro”. Certo dia, uma parte de uma arquibancada desabou; uma jovem saiu com um ferimento num dos pés. Maria Silva, talvez esposa do Sr. Chiquinho, encerrava o espetáculo com seu número de dança, após o que circulava dentre os espectadores a vender sua foto sensual.

Os circos eram montados próximos ao campo de bola, onde hoje é a Praça Henrique Pereira Donato, conhecida, popularmente, como “Praça do Feijão”, e na Praça Manoel Novaes. Naquela época não haviam sido construídas as quadras e o caramanchão na Praça do Colégio Luiz Viana. Um desses circos chegou a Guanambi com vários animais: leões, tigres, macacos, elefantes, onças, papagaios, dentre outros. No começo foi um verdadeiro sucesso de bilheteria, mas, com o passar dos dias, a renda caiu. Os animais que eram alimentados com carne bovina passaram a comer carne de jegue, a opção mais barata naquela época. Seu Dodô criava muitos jegues no seu sítio, localizado depois da Vila Nova. No final, sentindo falta de seus animais, seu Dodô mandou um de seus empregados investigar e descobriu que seus jegues estavam sendo trocados por ingressos por amigos de nossas famílias conhecidas de Guanambi.

Após a descoberta do destino de seus jegues, seu Dodô procurou os pais dos meninos, que restituíram o valor dos jegues sacrificados para alimentar os animais dos circos.

Lembranças marcantes são as da roda da morte, onde os personagens do circo circulavam dentro e ao redor de uma bola gigante com uma moto. A emoção era tremenda. Também lembranças das brincadeiras dos palhaços, dos malabaristas no trapézio.

Uma das lembranças do coautor José Bonifácio eram os bilhetes de cortesia que seu bisavô recebia do dono do circo, por ser delegado da cidade, na década de 1960, bilhetes distribuídos para ele, seus irmãos e primos, o que proporcionava a frequência gratuita em vários espetáculos dos diversos circos montados na cidade. Um desses episódios foi o banho que tomou da tromba de um elefante, pois estava sentado na fileira da frente, local reservado para autoridades da cidade e de pessoas com alto poder aquisitivo.



Autores: Maria Soares da Silva Teixeira e José Bonifácio Teixeira



Essa e outras histórias estão em nosso livro: “Guanambi: Histórias, Memórias e Retratos de Várias Épocas”. A venda nas livrarias de Guanambi.



Contribuições das Professoras Maria Belma Gumes Fernandes, Helena Amaral, Lucília Donato e outros amigos





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