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JAIR BOLSONARO PREGA UNIDADE DO PAÍS

Política

Segunda-Feira, 28 de Maio de 2018

O deputado federal e pré-candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, passou a adotar um tom mais conciliador e menos histriônico nos últimos meses, ao vislumbrar a possibilidade de ganhar a corrida eleitoral de 2018. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o representante da extrema direita brasileira tenta abarcar os votos dos indecisos e desiludidos com a crise política nacional. O parlamentar esteve em Salvador na última semana e deu demonstração de força ao ser recebido por militantes eufóricos. Em entrevista exclusiva à Tribuna, Bolsonaro afirmou que consegue aglutinar eleitores por adotar um perfil semelhante a maioria do povo brasileiro. “As pesquisas dizem que quem vota em mim, pouco mais de 80% de pessoas no mundo vota. Logicamente que pela quantidade de ataques que sofremos na mídia, com fake news, estamos mantendo uma posição de crescimento. Não é uma luta pessoal minha contra os outros. Precisamos de alguém realmente patriota, honesto, o que é difícil em nosso meio. Que respeite todas as religiões e que tenha Deus no coração. Acho que essa é a nossa base”, analisa. O presidenciável tem levantado dúvidas em boa parte do mercado, já que ele tem uma biografia em defesa do estatismo. Indagado sobre o tema, ele tergiversa: "Você deve fazer negócios com o mundo todo? Sim e com alguns países não, obviamente. Não o fazê-lo pelo viés ideológico, como vimos fazendo o PT desde que chegou ao poder. Agiremos com essa certa liberalidade. Não é liberal 100%, não é assim. Liberalidade sim na economia". Ele também faz uma análise da política nacional e revela quais serão as propostas caso seja eleito o novo comandante do Palácio do Planalto.


Por Osvaldo Lyra e Paulo Roberto Sampaio


Tribuna da Bahia - Como o senhor avalia o processo eleitoral em curso no país? É um cenário completamente indefinido ainda?


Jair Bolsonaro - É uma dúvida, né? Ainda não está completamente inconsistente. Comecei a andar há pelo menos três anos pelo Brasil. As pesquisas dizem que quem vota em mim, pouco mais de 80% de pessoas no mundo vota. Logicamente que pela quantidade de ataques que sofremos na mídia, com fake news, estamos mantendo uma posição de crescimento. Não é uma luta pessoal minha contra os outros. Precisamos de alguém realmente patriota, honesto, o que é difícil em nosso meio. Que respeite todas as religiões e que tenha Deus no coração. Acho que essa é a nossa base. E outra, em chegando, chegar com independência. Porque chegar devendo a alma, vai continuar fazendo a mesma coisa que foi feito ao longo de 30 anos. Quem pagou o pato?


Tribuna - Qual o perfil do novo presidente da República? O que a população espera e quais requisitos o senhor acredita que serão cobrados do próximo gestor?


Bolsonaro - Tenho acompanhado as pesquisas e essas pesquisas você não tem como dizer que não é verdadeira. Primeiro, a questão de honestidade. Honestidade não é virtude. No meu caso, está comprovado em vários casos... Mensalão, Petrolão... para quem está há 27 anos lá dentro, não ser acusado de nada, é sinal de que não temos problemas. Eles querem autoridade. O presidente banana [Michel Temer] que a gente vê fica ao sabor dos grupos políticos que o apoiam. O quê mais que o pessoal vê? Fala que acreditam em Deus. Está na pesquisa aí. E outros requisitos... Quem sou eu? Não posso falar de mim para você? Sou o capitão do exército e sei que sem disciplina nunca teremos ordem e progresso. O que é ter Deus no coração? É a humildade. O cara pode ser ateu e ter Deus no coração. É uma questão de humildade. E o patriotismo. Você deve fazer negócios com o mundo todo? Sim e com alguns países não, obviamente. Não o fazê-lo pelo viés ideológico, como vimos fazendo o PT desde que chegou ao poder. Agiremos com essa certa liberalidade. Não é liberal 100%, não é assim. Liberalidade sim na economia. Acho que esse perfil tem tudo para começar a dar certo.


Tribuna - Além da Lei da Ficha Limpa estar consolidada hoje no país. Lula será candidato mesmo preso ou isso é uma estratégia para que o PT se mantenha vivo?


Bolsonaro - A lei tem que valer para todos. Se não me engano, essa lei nasceu no governo do PT. Foi de iniciativa popular, mas foi o governo do PT que a incentivou. Assim como a delação premiada é da época da Dilma. Você tem que cumprir a lei. Se alguém quiser mudar a lei, apresente um projeto ao poder Executivo e mude a lei. Hoje em dia ele está condenado em segunda instância. Está transitado e julgado. Não tem o que discutir.


Tribuna - O senhor acredita em uma união dos partidos de centro já no primeiro turno no seu entorno, já que o senhor pontua melhor nas pesquisas até agora?


Bolsonaro - Desde antes de a imprensa falar o que você está falando aí, eu já sabia que isso iria acontecer. Eu vou apenas no fato concreto. Élio Gaspari há mais ou menos 30 dias, no jornal O Globo, não me identifico com ele ideologicamente, disse que os partidos ditos de centro agora estavam se unindo para compor uma chapa ou pelo menos se unir no segundo turno com o compromisso mais importante para eles: um indulto para Lula e condenados na Lava Jato. E ele complementa: o único que não aceitaria esse tipo de negociação é o Jair Bolsonaro. E ele tem razão. Escreveu a verdade no jornal.


Tribuna - Como o senhor vê as críticas a seu nome? Vai polarizar com a esquerda e com as minorias para garantir a ida para o 2º turno?


Bolsonaro - Vou falar na questão de minoria: não gosto dessa palavra. Somos iguais. Eu sou uma minoria de 1,85 de olhos azuis. Quero direitos! Você talvez, com 1,93, magro, deve ter seus direitos. Nós temos que nos unir. Essa história de dividir vem lá de trás. Dividir para vencer. Como é que entram e dividem sua família? Pegando sua esposa, jogam maldade contra você, a mesma coisa com seus filhos, e daqui a pouco vocês estão brigando. E eu, soberanamente, entro na sua casa. E o que o governo faz, jogando uns os outros? Você já sabe como, com negros, gays... Eu quero é todo mundo igual. Se eu ou você, o João, o Pedro ou a Maria cometer um crime X, a pena é a mesma para nós. E não procurar privilégios. Esse negócio de LGBT, o que um gay tem diferente de mim? Você não sabe se eu sou gay e eu não sei sobre você. E não me interessa. Ponto final. Até porque privilégios, direitos, facilidades, inclusive no plano de promoção e cidadania LGBT, tem cota para gays. Aí você fica se perguntando: como você vai acreditar na palavra do cara, se ele é gay ou não? Pela aparência? Estaria discriminando. Vamos colocar um ponto final nisso. Até a questão das cotas, pelo que sei, a Bahia é o estado que tem o maior percentual de afrodescendentes. Aqui tem que ter cota para branco, então? Vamos fazer um só país, uma só bandeira e vamos deixar esse negócio de minorias. Lógico, se alguém fizer uma maldade para o cara porque é gay, porque é torcedor do time de futebol, você tem que ter uma pena agravada para aquele caso.


Tribuna - O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, comparou recentemente o senhor ao PT e disse que os dois se assemelhavam por ambos serem “extremistas”. Como o senhor vê essa crítica dele e a busca por apoio de partidos como o Democratas, o PP e o PR?


Bolsonaro - Primeiro, eu não estou buscando apoio. Mas não me furto de conversar com quem me procura. No PR, por exemplo, eu converso com o Magno Malta. Se tiver qualquer contato do partido, vai ter com Gustavo Bebianno, presidente em exercício do diretório nacional do PSL. Nós não aceitamos negociar o que não é nosso, o que é do povo. Posso até conversar contigo, dou meu telefone. Agora entregar ministério, diretoria de banco e estatal é crime. É uma covardia. É você entregar o que é do Estado em troca de apoio político dentro do parlamento. Esses apoios políticos costurados dessa forma levam à ineficiência do estado. Pergunto: como é que está a saúde na Bahia? Acho que não está bem, como acho que não está bem em quase nenhum estado do Brasil. A questão da insegurança, acho que não está bem em função disso. Negociação. Quem é o ministro da Segurança Pública? Ele estava no Ministério da Defesa, é um cara comunista e desarmamentista. Um cara que tem medo de pistola é Ministro da Segurança. Não vai dar certo. É para atender ao partido dele? Isso tem que deixar de existir. A questão do Alckmin: poxa, uma pessoa que não consegue no estado dele ter um percentual maior de votos do que eu? Ele é um fracassado. Tem que se recolher a sua insignificância. Não vou nem responder. Ele quer polemizar e polarizar comigo. Está num partido que governa há 20 anos São Paulo e está há 8 anos no governo de lá. Eu só tenho um deputado federal em São Paulo, que é meu filho. Ele, Alckmin, deve ter uns 20 parlamentares, uns dois mil vereadores, 300 prefeituras... e está abaixo de mim. Ele é um derrotado, um fracassado.


Leia a entrevista completa na edição impressa do jornal ou na Tribuna Virtual (clicando na capa do jornal que está na home do site).




TRANSCRITO DO PORTAL TRIBUNA DA BAHIA


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