O município de Guanambi atravessa o chamado “tempo das águas”, período que tradicionalmente registra maior volume de chuvas no sertão. Em 2026, porém, o cenário tem sido bem diferente: até agora, apenas precipitações fracas e irregulares foram registradas, insuficientes para recompor barragens e lagoas da região.
A situação contrasta com outros anos. No final de janeiro de 1992, por exemplo, a cidade enfrentou uma das maiores enchentes de sua história. Mais recentemente, em janeiro de 2016, fortes chuvas alagaram ruas, o Parque da Cidade e garantiram a recarga dos reservatórios.
Neste ano, o mês caminha para o fim sem registros significativos de chuva, o que acende um sinal de alerta não apenas no campo, mas também no comércio local.
Com a economia de Guanambi fortemente ligada à atividade agrícola, a falta de chuvas reduz a produção rural e enfraquece o poder de compra dos produtores. Com menos renda circulando, as vendas caem, estoques ficam parados e muitos comerciantes já relatam preocupação com os próximos meses.
Além disso, o encarecimento dos alimentos e das rações, provocado pela escassez de água, tende a diminuir ainda mais o consumo, afetando desde pequenos mercados até lojas de insumos, feiras e prestadores de serviço.
Entre comerciantes, cresce a apreensão de que, se o clima não mudar, o impacto se prolongue por todo o ano, comprometendo empregos e investimentos. A expectativa geral é que as chuvas ainda se regularizem, garantindo não apenas a recuperação do campo, mas também a estabilidade da economia, que historicamente depende de um bom ciclo chuvoso.
Reportagem: Jorge Jornais- Foto: Willian Silva –