Símbolo da Caatinga nordestina, o umbu entrou na lista de alimentos ameaçados de extinção elaborada pela Fundação Slow Food, entidade internacional dedicada à preservação de culturas alimentares tradicionais. As secas prolongadas e a competição com a criação de bodes estão entre as principais causas que colocam em risco a sobrevivência dessa fruta típica do sertão.
Reportagem publicada pela National Geographic revela que o umbuzeiro — árvore que produz o fruto — vem desaparecendo de forma acelerada em várias áreas do Nordeste, inclusive na Bahia. Embora exista uma lei federal que proíbe a derrubada do umbuzeiro em todo o território nacional, a prática ainda é comum entre agricultores do sertão, seja para abertura de áreas de pastagem, seja para uso da madeira.
O umbu também serve de alimento para bodes e outros animais, o que intensifica o problema. Em regiões como Uauá, no norte baiano — onde está uma das maiores produções do fruto no país e onde a população de caprinos chega a ser seis vezes maior que a humana — foi necessário cercar os umbuzeiros para impedir o acesso dos animais, sobretudo aos brotos, que são rapidamente consumidos. Sem essa proteção, a cultura do umbu quase desapareceu do município.
Além da pressão exercida pela criação extensiva, a irregularidade das chuvas e os longos períodos de estiagem em vários estados nordestinos agravam ainda mais o cenário, colocando em risco não apenas uma fruta, mas parte importante da identidade cultural e alimentar do semiárido brasileiro.