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MEDO DO CORONAVÍRUS REDUZ PELA METADE IDA ÀS CLÍNICAS E AOS HOSPITAIS

COVID-19

Domingo, 21 de Junho de 2020














Duas cirurgias oftalmológicas marcadas, asma, hipertensão, diabetes e o medo de contaminação pelo coronavírus. A aposentada Ivete Marques postergou, além do limite, a ida ao médico até apresentar um quadro frequente de descompensação do diabetes. As cirurgias - uma de catarata e outra de pterígio -, previstas para ainda este mês, ela está disposta a adiar. “A palavra é essa: medo. Tenho pânico de ter contato com a área hospitalar, hoje. Para mim, qualquer um deles é um contaminador em potencial”. A Sociedade Brasileira de Diabetes, seção Bahia, estima que o estado tenha 203.780 diabéticos.  O receio da aposentada explica o porquê de as pessoas terem abandonado a sala de espera das clínicas e hospitais de Salvador, mesmo os pacientes crônicos que precisam manter o tratamento, independente do cenário de pandemia.


Segundo a Associação de Hospitais e Serviços de Saúde da Bahia (Ahseb), a redução inicial do volume de consultas e atendimentos ambulatoriais em clínicas, laboratórios e clínicas de imagem alcançou 80%. A queda, atualmente está em 50% e atinge todas as especialidades clínicas. 


“Antes da pandemia, eu ia regularmente ao médico. Meu diabetes é oito ou oitenta. Ele vai a 600 e, nesse mesmo dia, posso ter uma hipoglicemia de 50”, completa Ivete, que após ser medicada, segue cumprindo o isolamento social.  O presidente da Ahseb, Mauro Duran Adan compreende a apreensão da paciente, porém destaca a necessidade de não interromper o tratamento médico para não acabar correndo o risco de agravar o quadro dessas doenças.


A diretora do Sindicato dos médicos do estado da Bahia (Sindimed-BA), Clarice Saba, concorda: “O novo coronavírus não é a única patologia que está aí. As outras doenças não estão de quarentena nem de férias. Não dá para ficar em casa esperando que aquele sintoma passe. São situações que podem ser evitadas, caso esses pacientes sejam medicados, antes do agravamento do caso”. De acordo com a entidade a variação da queda de atendimentos está em 60%.  A também aposentada Bárbara Rocha estava tendo oscilação na pressão arterial, desde o início do isolamento social. “Nunca havia deixado de ir ao médico. Uma mulher no elevador da clínica estava tossindo muito, fiquei nervosa e depois não peguei mais o elevador. Só fui e fiquei porque a pressão está subindo muito, mesmo com os remédios. Deve ser por conta dessa pandemia. É horrível sair”. 


Nem tudo é covid
Para o Diretor Superintendente do Itaigara Memorial Hospital Dia, Fábio Brinço, se proteger nesse momento de pandemia, inclui também cuidar da saúde como um todo. Brinço pontua que as unidades de saúde estão mantendo um protocolo de segurança e higiene para que esses atendimentos sejam feitos. No Itaigara Memorial Hospital Dia, na Pituba, além do distanciamento de um metro e meio até dois metros  nas recepções, há também  medição de temperatura e uso de equipamentos de segurança pelos profissionais.  Cuidado redobrado
Na ida ao médico, as medidas de isolamento social não podem ser flexibilizadas. È esse o alerta da imunologista, pesquisadora titular da Fiocruz Bahia e da Rede CoVida, Fernanda Grassi: “O ideal é fazer um contato com o médico para que ele possa avaliar se o paciente precisa se dirigir à unidade de saúde, ou não”.


Em geral, os hospitais estão aplicando o esquema de dupla entrada, separando os pacientes com sintomas respiratórios daqueles com outros sintomas. As equipes de atendimento que tratam a covid-19 também não podem ser as mesmas para as outras patologias. De todo modo,  a imunologista lembra que o risco de contaminação existe. 


“Sempre tem o risco. Só em sair na rua já estamos nos arriscando. Mas essas pessoas que têm doenças graves necessitam desse serviço. Que tomem todos os cuidados”, aconselha. 


A psicóloga Tais Oliveira passou, nos últimos meses, por dois momentos de tensão que exigiram ida à emergência. A filha mais nova nasceu no dia 30 de março, no meio da pandemia. Dois dias depois, a bebê começou a ter febre alta.


“Cada exame feito era uma tensão a mais, por conta da emergência pediátrica ser próxima à adulta, onde eu sabia que já haviam casos de covid. Fiquei extremamente tensa, o tempo todo com minha bebê no colo. Foi uma situação terrível. Até o termômetro era dela, para não usar o de lá”.


Taís ainda teve que voltar outras três vezes para repetir os exames. “O medo, infelizmente, é constante, mas tem coisas que são inevitáveis”. Quase um mês depois, a psicóloga apresentou sintomas de chikungunya. Desta vez, ela evitou procurar a  emergência. 


 


FONTE: CORREIO DA BAHIA  FOTO:  DIVULGAÇÃO


 


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