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POETA ODÍLIO FILHO LANÇARÁ SEU PRIMEIRO LIVRO

Cultura

Quinta-Feira, 14 de Janeiro de 2016



   O poeta e músico, Odílio Filho, técnico e fiscal aposentado do Banco do Brasil, natural da Fazenda Pajeú, em Pindaí, prepara o lançamento do seu primeiro livro, “Pecador Remido”. O livro revelará, em forma de versos, a sua trajetória e experiência de vida, desde sua infância até os dias atuais.



   A seguir, a biografia do autor e uma amostra da sua poesia.                        



Nasci na Fazenda Pajeú em Pindaí (BA), onde vivi até os meus dezenove anos de idade. Inicialmente a minha escola foi o árduo trabalho do campo, juntamente com a toda a minha família, onde lavrando a terra plantávamos e colhíamos o nosso sustento familiar. Meus pais, ali transmitiram, a nós, seus filhos, o grande ensinamento bíblico, relatado em Salmos 128.1-“Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.”2-Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem.”,



      Quando então, completei a minha maior idade, eu disse à minha família que partiria para São Paulo, pois lá trabalhando poderia eu estudar e adquirir conhecimentos e currículo escolar para ir em busca dos meus sonhos. Eu queria ser fiscal do Banco do Brasil. Naqueles tempos, ao contrário de hoje, não tinha a facilidade de transportes, nem existia nenhuma faculdade na região, ainda que virtual, como nos tempos de agora, que  tornasse possível ao jovem ruralista, vivendo com a sua família, ainda que mais distante, com esforço, coragem e dedicação fazer uma faculdade em Guanambi (BA), ou até mesmo uma faculdade virtual, em sua casa, com as beneficies da Internet.



        Aos filhos dos ricos era possível estudar onde quer que desce certo, Salvador (BA), Viçosa (MG), Rio de Janeiro (RJ), Montes Claros (MG), Recife (PE) ou em qualquer lugar que fosse, quanto a mim, filho de família pobre, a capital de São Paulo foi o destino, onde vivi por quase uma década, tendo sido o meu primeiro trabalho como faxineiro, quando trabalhava doze horas por dia. Não fui para São Paulo, eu fui a São Paulo no propósito de estudar e isto fiz com afinco, coragem e muita dedicação. Muitas foram as dificuldades, longe de casa, precisava sustentar-me e encontrar tempo e meios financeiros para custear o meu projeto estudantil. Por muito tempo, se almoçava, naquele dia eu não jantava, ocasião em que eu fazia o curso preparatório para prestar vestibular, vivendo dias de aperto financeiro. À noite, tomava apenas um pingado de café com leite e um pão com manteiga, na padaria, parada obrigatória para aquele simples lanche, quando eu um dia disse para o balconista atendente, para passar apenas uma vez a faca com a manteiga no pão e ele indagou-me porque uma vez apenas? Quando muita gente lhe pedia para passar duas vezes a faca com a manteiga no pão e eu lhe respondi: apenas uma vez, porque na segunda vez você acaba tirando de volta a manteiga e ele acabou gostando da minha brincadeira e quando eu lá chegava, para me agradar ele caprichava na manteiga e assim eu saboreava rapidamente aquele pãozinho cheio de manteiga com apenas um copo de café com leite e seguia correndo ao meu destino, Av. Paulista,  900, Curso Objetivo, preparatório para vestibular, nos idos do ano de 1976 e, quando em casa eu chegava, por volta da meia noite, o estômago doía de fome e, para poder dormir, eu tomava um copo de água com açúcar. Às seis horas da manhã seguinte já estava eu na rua, destino ao trabalho, para repetir tudo de novo.        Em um tempo que não existia PROUNI, ENEM, SISUTEC, QUOTAS UNIVERSITÁRIAS que atribuem facilidades para estudantes de baixa renda, etc. E assim, Graças ao Deus poderoso, conhecedor dos meus propósitos, ao final de uma década, voltei para o meu Pajeú, Pindaí – BA, onde nasci, trazendo em meu currículo uma faculdade de Ciências Contábeis (incompleta) e um curso técnico em Agropecuária, graduação que levou-me à terceira colocação no concurso público nacional realizado pelo Banco do Brasil, regional de Guanambi (BA) em l982. Tomando posse, fui correr trecho por algumas agências, fui escriturário, caixa executivo por dez anos e, nos últimos dezoitos anos, fiscal titular dos negócios do Banco do Brasil nas redes Guanambi (BA), Bom Jesus da Lapa (BA) e Brumado (BA), onde acompanhei  e assessorei os negócios deste gigante chamado Banco do Brasil, o maior banco do país e trigésimo quinto banco do mundo, utilizando de minhas funções de técnico e do meu profissionalismo, conhecedor deste universo socioeconômico e geográfico regional, incansavelmente contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio de toda esta sofrida região, tão bem representada pelos sertanejos meus conterrâneos, de cuja sociologia eu faço parte. Desta forma honrosa, fincado na perseverança pessoal e firmeza dos meus ideais, fui à luta em busca dos meus sonhos de jovem, e, depois de uma vida toda de trabalho, desde os meus cinquenta e oito anos de vida,  encontro-­me aposentado, com quarenta e sete anos de trabalho reconhecidos pela Justiça Federal e INSS. Poderia eu continuar na ativa até aos meus setenta anos de idade, limite para o funcionário permanecer no trabalho, e assim, dobrar o meu salário todo o mês. Porém, em outubro de 2014, solicitei ao Banco o meu afastamento, deixando assim a minha vaga para um outro jovem trilhar o seu sonho, e oxalá, dar a esta Pátria a contribuição que eu dei, como  técnico e fiscal do Banco do Brasil, para o agronegócio deste País.



Atendendo um chamado de Deus em minha vida, tornei-me um cristão, quando Deus me curou dos vícios da maconha e da bebida e, hoje, na busca do meu crescimento espiritual, faço Teologia no Seminário Teológico Batista Independente da Igreja Batista Filadélfia em Guanambi; uma Igreja de restauração espiritual na vida de quem  queira mudar de vida. Glória a Deus !  



O poema que segue, “Odisséia de minha vida: 1º e 2º ato”, em seu primeiro ato, reflete a minha vida até os meus dezoito anos, na fazenda Pajéu, em Pindaí (BA), onde nasci. O segundo ato é uma síntese filosófica de minha estadia na capital de São Paulo, para poder chegar até uma faculdade e o meu retorno para a minha terra, Pindaí, em 1982, para começar de fato a vida profissional; quando na verdade, desde os meus sete anos de idade já trabalhava na labuta  rural,  em conjunto  com a atividade familiar.



 



Odisséia de Minha Vida 1º e 2º Ato



Nasci na fazenda Pajeú Lá em minha humilde Pindaí.



 A oeste, fica Sebastião laranjeiras e Candiba



Ao norte, o município de Guanambi.



Ao leste, Caetité, Caculé e Licínio de Almeida



Ao sul, a nossa Terra mátria Urandi.



Menino simples lá da roça que apenas o mato conhecia.



Ao fazer dezoito anos, completei minha maior idade,



Eu disse para a minha família: Vou à capital Paulista,



trabalhar para poder estudar. É certo, que alguns anos,



terei que passar por lá, vou sentir muitas saudades.



Até chegar à uma faculdade, mas  Deus há de me ajudar,



para eu voltar um dia, pois, é aqui na minha terra,



Em que eu quero morar !



Levei comigo, na lembrança, uma passagem bíblica



Que o  meu pai para mim sempre lia



Em que Deus visitou a Salomão em sonhos,



perguntando a Salomão o que queria.



Salomão, diante de Deus, respondeu: Eu quero é sabedoria !



E Deus para Salomão naquele momento disse assim:



Sabedorias terás, porque sempre foi um servo justo e reto diante de mim !



Era  vinte e três de dezembro o ano era  1974



E na Odisséia de minha vida, naquele momento de despedida



Concluia-se ali, portanto o primeiro ato !



E a chuva que chegava na partida !



Anunciando fartura na plantação,



E o meu peito que batia em despedida,



porque no peito também tenho um coração



A vida naquele instante era uma estrada



A minha cabeça de jovem com vontade de sonhar !



Pé que não anda nunca vai levar topada



Mas, é tropeçando que se aprende a caminhar !



A vida sem a fé teria sido morta !



A saudade muitas vezes,  eu deixei por detrás da porta



Para trás, aos poucos,  foi ficando Pajeú, a minha morada  primeira



Na mão direita a velha mala chiadeira !



Coloquei os meus pés na estrada, era tempo de levantar poeira



São Paulo, naquele instante era o destino



Na vida daquele menino que já gostava de sonhar



 Lá na Capital paulista, doze horas eu trabalhava



E à noite eu estudava,  para um dia o meu sonho realizar !



São Paulo ! Terra que filho chora e mãe não vê !



Escola, que a pessoa acerta ou deserta é assim  que diz o ditado !



Quase dez anos se passaram, naquele batidão pesado



Até um dia eu encontrar-me, técnico e bacharelado !



Acordei um dia bem cedo e disse:



São Paulo, fui !  Adeus ! A ti, muito o obrigado !



Por ter ensinado-me o anglo seno e o coseno das tangentes



O lado côncavo  e convexo das parábolas



As leis e teorias de Newton,  Mendel, Lavoisier, Dalton



E outras tantas, que neste momento não  são lembradas



O teorema de Pitágoras  e  ainda, o método das partidas dobradas !



Hoje, ainda hoje, São Paulo ! Porque a hora é chegada !



Eu estou  de volta ao meu velho Pajeú. A minha primeira morada !



Na minha vida, Deus fez o tempo em pedaços !



Lá em São Paulo, novamente, naquele momento de despedida



Na Odisséia de minha Vida, concluía-se portanto o segundo ato !



E, diante do inverso da partida, São Paulão, aos poucos foi ficando para trás



Aquela imensa selva de concreto e aço !



Peguei sobre o armário do passado, a velha  mala chiadeira



Toda empoeirada e dentro dela eu coloquei tudo que eu havia levado



Duas, três peças de roupas, um par de tênis usado



Não tinha ouro,  não tinha  prata, muito menos cartão de credito



Ou  talonário de cheques para dinheiro em banco guardado



Quando eu cheguei em Espinosa avizinhando ao meu Estado



Tomei um refrigerante com o meu último trocado !



Chegando em Urandi, terra da minha Terra mátria, o meu primeiro “Porvir”,



comemorando para a minha terra eu ter voltado



 Jamais eu vou esquecer !  tomei um café fiado lá no Bar Jovem LPP



Quando em minha casa, lá no Pajeú, eu cheguei



Os meus pais me abraçaram  dizendo:



Filho ! O importante é você !



Meu amigo, minha amiga !



Nesta vida, o maior dos tesouros que podemos conquistar



Tesouro, nós sabemos muito bem, por ser algo precioso, é muito difícil de se achar.



E nestes tempos de muita corrupção e ladroagem



Eu trouxe o meu tesouro dentro da minha cabeça guardado



Para ninguém me roubar !


 


Jorge Jornais- O POPULAR


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